Ortografia -- o aprimoramento da língua escrita

Institucional > Espaço de reflexão

Uma de nossas preocupações enquanto escola é, sem dúvida, o processo de aprimoramento da escrita. Sabendo que nossos alunos são crianças que já possuem muitos conhecimentos sobre a função da linguagem, que desde pequenos têm contato com diversas situações de uso da escrita, consideramos, na introdução de conteúdos novos, as ricas contribuições dos conhecimentos prévios e das hipóteses de cada criança sobre o sistema convencional da escrita. Como o processo de ensino da língua é reconstruído pelo sujeito que o adquire e determinado pelas etapas do desenvolvimento cognitivo que possibilitam o entendimento das estruturas lingüísticas e do sistema convencional de escrita, acreditamos no trabalho que proporciona à criança a experimentação e a exploração do texto escrito, desacreditando que o processo de ensino da língua só se dá de forma parcial; primeiro, se ensinando a escrever as palavras de acordo com as convenções ortográficas e, em seguida, informando que tais palavras compõem textos que por sua vez fazem parte de contextos.

Sabemos que a memorização automática do sistema leva ao conhecimento superficial e rígido de suas características formais e que o processo de formação de um bom escritor implica em pensar antes de escrever, selecionar, constatar, rejeitar hipóteses e combinar diferentes elementos. Na Móbile, a criança, além de ser estimulada a utilizar a linguagem, aprende a refletir sobre ela para que possa reconstruir seus conceitos, procedimentos e atitudes adequados. Assim, em todo processo de construção de texto, incluímos diversas etapas: discussão de idéias, geração de hipóteses, consulta a outras fontes, seleção e combinação de elementos textuais, tomada de decisões, planejamento do texto ou pré-texto e revisão.

Para nós, os "erros" e "tropeços", que também surgem durante o processo, evidenciam a tentativa das crianças de entenderem como o sistema funciona, de transformarem o próprio conhecimento e de buscarem diferentes formas de uso da escrita.

Para que nossos alunos atinjam a qualidade do texto e possam voltar diversas vezes a ele, vemos como fundamental a ampliação da capacidade de leitura e de escrita para que cada retorno se torne eficiente. Durante a atividade, estimulamos o grupo a pensar sobre a função de uma palavra, substituir e reconhecer a organização sintática daquilo que escreve e utilizar a linguagem de forma reflexiva para cumprir um propósito comunicativo.

Nossas intervenções, que ocorrem ao longo do processo, são realizadas rotineiramente e possuem o caráter de revisão em lugar de correção, já que nossa prática tem revelado que, para as crianças, toda correção já pressupõe que algo está errado. Na revisão, além da organização do texto, também são abordados os aspectos ortográficos.

Nossa preocupação com a ortografia se dá no levantamento dos erros apresentados pelas crianças e suas possíveis hipóteses de notação, para que posteriormente possamos programar atividades que trabalhem com a associação de regras. Por exemplo: não acreditamos que, fazendo uma criança escrever diversas vezes a palavra "gostoso" ou apenas informá-la sobre o erro durante a produção ou revisão do texto, bastaria para eliminar a possibilidade de esta escrevê-la com "z". A partir do levantamento dos erros ortográficos apresentados pelo grupo, promovemos diversas atividades em que nossas crianças formam grupos de palavras que auxiliam na construção de um conceito ortográfico. Exemplo: informar sobre os erros, promover um levantamento de outras palavras que terminem com o sufixo -oso (saboroso, delicioso, cheiroso...), constatar as hipóteses do grupo e discuti-las para, em seguida, concluir o processo pedindo às crianças que registrem, num painel ortográfico, a relação de palavras que apresentem este sufixo é muito mais eficaz. Esse cartaz, afixado em sala, tem um significado muito maior do que uma simples intervenção impregnada de um caráter de correção e, muitas vezes, distanciada das possibilidades cognitivas de determinada faixa etária.

Deste modo, nosso trabalho prioriza o contato com um maior número de leituras e considera diferentes maneiras de escrever e de ler que, sem dúvida, enriquecem o processo de aquisição da linguagem escrita. Um bom escritor aprende a escrever, criando e explorando diversas estruturas e não apenas copiando.

Consideramos as várias etapas de passagem do processo de aprendizagem da língua escrita como uma ampliação e conquista de recursos lingüísticos que é fundamental para trazer à criança a riqueza do universo da escrita. Por todas as razões não projetamos situações em que as crianças não queiram mais escrever, evitando roubar delas a magia deste ato.

Prof. Cleuza Vilas Boas Bourgogne

Diretora do Ensino Fundamental e assessora Pedagógica de Português do Ensino Fundamental

Área Exclusiva

Usuário   

Senha       

Agenda Cultural/Pedagógica e Esportiva

Escola Móbile

Educação Infantil: Rua Diogo Jácome, 818 - Tel: (11) 5536-4402  |  Ensino Fundamental e Médio: Rua Diogo Jácome, 848 - Tel: (11) 5536-4402