O mundo, 30 anos após a queda do muro de Berlim

28 de novembro de 2019


O ano de 2019 foi repleto de importantes efemérides: os 40 anos da Revolução Iraniana e da Lei da Anistia; os 50 anos do festival de Woodstock e da chegada do homem à Lua; os 60 anos da Revolução Cubana; os 70 anos da Revolução Chinesa, entre outras. Agora, no final semestre, relembramos mais um momento que marcou a história do século XX: a queda do Muro de Berlim.

Para discutir esse evento e sua importância para o mundo de hoje, o professor Roberto Candelori, responsável pela disciplina de Ética e Cidadania, convidou o Prof. André Roberto Martin, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Dois alunos foram chamados a participar da mesa-redonda, Guilherme Ghefter e a Mariana Savaget, ambos do 3º ano do Ensino Médio, que apresentaram o convidado e o tema.

Guilherme iniciou a palestra com o seguinte texto:

“‘Um muro é bem melhor que uma guerra’, essa frase foi proferida pelo 35º presidente estadunidense John Kennedy. A afirmação foi uma reação do líder da superpotência capitalista à construção relâmpago do Muro de Berlim em agosto de 1961. Poucos anos depois, 26 para ser mais preciso, outro presidente norte-americano, dessa vez Ronald Reagan, foi até a capital alemã e, ao pé da colossal construção, fez um apelo ao líder soviético: ‘Senhor Gorbachev, derrube esse muro’.

Em pouco tempo os paradigmas haviam se alterado drasticamente e, com eles, a percepção pública acerca do muro. Ao longo de seus 28 anos de existência, essa obra de engenharia capital representou com primazia e de forma concreta aquilo que antes era e parecia ser apenas um conceito. A ideia de Churchill de uma “cortina de ferro” separando os países da esfera de influência soviética e os do ocidente capitalista havia deixado de ser uma mera abstração teórica do primeiro-ministro britânico para se tornar algo tangível, algo no qual poderia se tocar e que, de fato, bloqueava o caminho de milhões de pessoas.

De um lado do muro tínhamos o oeste capitalista; do outro, o leste socialista – e dos dois lados tínhamos família, amigos, amores, agora divididos. Por quanto tempo? Não se sabia. O símbolo maior do mundo bipolar, como se sabe agora, no entanto, não durou para sempre, e com esse Pausa pro Debate exploraremos a relevância da queda desse monumento e como esse acontecimento que, passados 30 anos, ainda nos afeta, bem como afeta a própria ordem mundial presente.”

A partir daí, o professor Martin estruturou sua fala, retomando fatos importantes da Guerra Fria, abordando a reestruturação do mundo e lançando perspectivas para uma ordem mundial que estabeleça novos lugares para China, Índia e Brasil.

Foi com esse momento de reflexão sobre os rumos do mundo que concluímos mais uma edição do Pausa pro Debate, evento criado para promover a discussão sobre temas polêmicos e eventos históricos cujos desdobramentos se fazem sentir no mundo atual.