MóBILE INTEGRAL

O projeto pedagógico da Móbile Integral é complexo – e perfeitamente equacionado. Quarenta anos já se passaram desde a fundação da Móbile, mas a inquietação jamais deixou de ser uma característica de sua equipe de educadores. Não pelo intuito de imitar modismos ou de realizar experimentos inconsequentes. Temos convicção de que toda inovação deve ser consistente e apoiar-se em evidências testadas, deve manter-se sintonizada com as transformações por que passa a sociedade em que vivemos. Hoje, não mais uma sociedade industrial, muito menos agrária, mas uma sociedade do conhecimento em constante (e rápida) construção.

A tão falada Revolução Digital provocou um significativo impacto nas relações sociais, econômicas, políticas, sem deixar de ter um subproduto indesejado, mas inevitável: o chamado desemprego tecnológico. Para enfrentar essa nova ameaça, é preciso que os profissionais estejam prontos a reinventar-se – sob o risco de padecerem das dores da obsolescência. Para isso, precisam dispor de habilidades e competências cognitivas e socioemocionais diferentes daquelas exigidas no século XX.

Parafraseando um conhecido aforismo atribuído ao físico Isaac Newton, podemos afirmar que a vivência das quatro décadas da Móbile representa ombros gigantes sobre os quais se apoia o presente projeto da Móbile Integral. É necessária uma dose de humildade para reconhecer que não nos cabe dormir sobre os louros do ótimo desempenho de nossos alunos na vida acadêmica, no mundo do trabalho e no ingresso em universidades de prestígio, dentro e fora do país. Agora, em consonância com o desejo de pais que buscam escolas de período integral, queremos ir além. Queremos que as horas a mais em que os alunos permanecerão no espaço escolar sejam significativas – e por que não dizer vibrantes e estimulantes –, dentro de um espírito de um novo tempo. Afinal, os processos de geração de valor material ou imaterial vivem em permanente mutação. Algumas profissões clássicas estão perdendo a função que as consagraram, e as demandas do mercado exigem profissionais flexíveis, multitarefa, capazes de enfrentar desafios surpreendentemente novos. A Móbile Integral encara essas novas formas de apropriação do mundo com claro realismo.

Traduzindo, diante deste século XXI imprevisível, merecem destaque três focos na formação dos alunos: o pensamento crítico, a capacidade criativa e o letramento digital. Em outras palavras: alunos capazes de resolver problemas de toda ordem e complexidade e não meros replicadores de soluções prontas – que podem não existir –; sujeitos detentores dos instrumentos necessários para conceber soluções e saber propor perguntas.

Ora, o que é o pensamento crítico?

A atividade mental disciplinada e estruturada que possibilita avaliar informações ou proposições a fim de julgar aquilo em que se pode acreditar ou que se pode fazer. Ferramenta indispensável para quem quer ser protagonista.

E por que a capacidade criativa?

Porque buscar soluções para problemas inusitados requer capacidade de formulação de ideias originais que sejam valiosas para a coletividade.

A Móbile Integral articula os conteúdos curriculares de forma que confiram base sólida de conhecimentos aos alunos; que lhes ofereçam oportunidades de desenvolver o pensamento lógico e científico e capacidade criativa; que os provoquem com frequentes questionamentos intelectuais – tirando-os de sua zona de conforto –; que os estimulem a testar diferentes soluções sem medo do fracasso; que celebrem as virtudes de ter foco, determinação, perseverança e resiliência. Tudo isso em um contexto em que prevaleça o trabalho colaborativo.

Por último, de que trata o letramento digital?

Certamente, não apenas da capacidade de comunicar-se por meio das redes sociais, de utilizar com desenvoltura aplicativos para uso particular ou até para pesquisar algum conteúdo. É muitíssimo mais: diz respeito ao desenvolvimento do pensamento computacional, ou seja, usar o computador para potencializar as próprias capacidades cognitivas e operacionais – verdadeira lente de aumento capaz de proporcionar um salto qualitativo de produtividade.

Uma das estratégias pedagógicas usadas para atingir esse patamar é a introdução de jogos no currículo – jogos lógicos e jogos espaciais. Por meio deles, os alunos fortalecerão também duas outras habilidades essenciais: o respeito a regras diversas e múltiplas e o bom convívio social. Assim, poderão desfrutar de autonomia para planejar cursos de ação e de liberdade para escolher entre alternativas em um ambiente cooperativo.

Queremos, em síntese, formar alunos criativos, questionadores, críticos e capazes de utilizar dispositivos computacionais como aliados para a resolução de problemas e para fazer escolhas socialmente responsáveis.

O tempo integral, tanto dos alunos quanto dos profissionais, possibilitará o desenvolvimento de múltiplas linguagens: nas Ciências (com o culto do conhecimento, o pensamento lógico, a capacidade de problematizar e de sustentar proposições com base em evidências); nas Artes (sensibilidade estética, música, dança, artes visuais, teatro); nos Esportes (bem-estar físico e rico repertório de modalidades esportivas para a fruição de um lazer sadio). E, por fim, mas não menos importante, conhecimentos sólidos de idiomas estrangeiros – Espanhol e, sobretudo, proficiência em Inglês –, que contemplam comunicação oral, leitura e escrita, além da própria capacidade de pensar em outro código, o que caracteriza as pessoas bilíngues.

Este projeto almeja constituir-se como referência de um ensino integral em harmonia com seu tempo. Uma escola que cultive a convivência entre os diferentes, o pluralismo e a consciência cidadã; uma escola que forme pessoas que respondam com competência aos desafios que enfrentarão.