Intervenção militar no Rio de Janeiro

15 de maio de 2018


Em 16 de fevereiro de 2018, um decreto, assinado pelo presidente Michel Temer, determinando a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro até o último dia do ano foi publicado no Diário Oficial da União. Justificando a decisão com base na inépcia do governador carioca na manutenção da ordem pública, o presidente Temer nomeou um general do exército brasileiro para assumir o controle das forças de segurança do estado. Policiais civis e militares, bombeiros e o sistema penitenciário cariocas agora estão sob administração do general Walter Souza Braga Netto, líder do Comando Militar do Leste, região que engloba Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Foi sobre esse contexto que se realizou o primeiro Pausa pro Debate de 2018 na Escola Móbile, evento no qual o mote “Exército na rua é garantia de segurança?” foi debatido. Para discutir a questão, foram convidados dez alunos do 3º ano do Ensino Médio. Separados aleatoriamente em dois grupos, eles tiveram de defender posições contrárias ou favoráveis à intervenção, independentemente de suas opiniões pessoais. Para defender a intervenção, subiram ao palco Guilherme Bianchini Patarra, Guilherme Serrano do Carmo Ferraz, Leonardo Rogerio Fernandes Costa, Matheus Sawaya Santos e Pedro Lucas de Oliveira. Para criticar a medida, ficaram responsáveis os alunos Arthur Ladeira Cenachi Alongi, Felipe Passos Bresciani, Leonardo Sampaio Esposito, Leticia Carvalho Filardi e Monique Preisegalavicius Murer.

A aluna Monique Murer, que apresentou o discurso crítico à intervenção, deu um breve depoimento sobre sua experiência: “É muito valioso ter um espaço aberto no ambiente escolar para discutir um assunto tão polêmico e tão relevante para o contexto político recente, até mesmo porque 2018 é, afinal de contas, ano de eleições. Ainda mais interessante é ter a oportunidade de estar no palco, ‘a caráter’, com um microfone na mão, preparada para ler um discurso na frente de tantos outros alunos e defender um posicionamento que não necessariamente é aquele com o qual eu concordo. Talvez esta seja a parte mais importante de todas: aprender que seus ideais não são uma verdade única e irrefutável e que debater é exercer nosso papel como agentes da democracia, além de propor diferentes entendimentos de um mesmo assunto a partir de uma discussão sensata e positiva; e por isso sua necessidade em tempos atuais de pós-verdade”.

Tendo feito o discurso de defesa da intervenção, o aluno Matheus Sawaya também deu seu depoimento: “Sinto-me muito contente e honrado de escrever aqui. Não por ter sido selecionado pelo professor Beto Candelori entre meus colegas, mas por estudar em uma escola que propicia um ambiente de debate respeitoso e profundo, oportunidade, infelizmente, esporádica no universo brasileiro atual. Enquanto nosso grupo desenvolvia argumentos, coletava dados, decorava manchetes e redigia longos textos, me envolvia cada vez mais com o ponto defendido por nós. Conforme retratado no filme alemão A onda, pude perceber que, de fato, as ideologias tomam proporções perigosíssimas. O exercício de se autopoliciar para não cair em um buraco de militância cega é bastante difícil, mas é ótimo para percebermos que há tantas etiquetas de fanatismo ao nosso redor. Adorei o exercício de planejar contra-argumentos ou de prever falas da oposição. Os jogos de estratégia, de montagem da linha de pensamento e de cada palavra proferida são fascinantes. Ao mesmo tempo, aprendi que o dinamismo da discussão é algo que pode ser usado de tantas formas diferentes na vida. Como ser político, estudante e pensante, afirmo que o Pausa pro Debate teve muito a agregar”.

Beto Candelori (professor), Guilherme Akiyama (assistente), Matheus Sawaya (aluno do 3º ano) e Monique Murer (aluna do 3º ano).