Contra as drogas: educação, prevenção, projetos de vida

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Quando o tema é "uso de drogas", a primeira reação é o medo. Uma profusão de pensamentos e receios vem à cabeça dos pais, em geral misturada a posturas e conceitos como "informar", "proibir", "reprimir", "tratar". Não é para menos: as drogas e os muitos males associados, como o sexo irresponsável, a Aids, a hepatite e outras doenças, constituem um dos maiores problemas da saúde em todo o mundo, neste novo século.

A faixa etária da iniciação dos indivíduos no mundo das drogas progressiva e perigosamente aproxima-se do final da infância e da pré-adolescência. Banalizados, barateados, difundidos por uma contravenção cada vez mais estruturada e difícil de combater, os psicotrópicos são hoje facilmente encontráveis nas cidades. Quem os procura não precisa mais ir a pontos conhecidos de tráfico, como favelas; basta andar à toa pelas ruas, e possivelmente será abordado.

Diante desse quadro, é natural e necessário que os pais se perguntem: o que devo fazer? Quando e como devo começar a evitar que meus filhos caiam nessa armadilha?

A resposta não é óbvia, mas é surpreendente e esperançosa. Os pais devem orientar os filhos desde os primeiros anos de vida.

Até bem pouco tempo, escolas, educadores e especialistas trabalhavam sob a falsa idéia de que o caminho da prevenção restringia-se à informação dos jovens sobre os perigos das drogas e à advertência quanto às possíveis conseqüências. A grande maioria das campanhas publicitárias antidrogas (entre elas o cigarro, é preciso lembrar) buscava amedrontar para inibir os adolescentes. Apesar disso, continuou aumentando o número de usuários de maconha e cocaína, segundo levantamentos das agências de saúde.

As pesquisas mais recentes sobre o tema comprovaram que 95% dos adolescentes usuários conhecem os efeitos nocivos do uso de drogas.

Alguns pesquisadores até afirmam que a informação dos efeitos das drogas leva os adolescentes a terem curiosidade e a experimentar.

Da mesma forma, as campanhas revelaram um fator de suma importância, que são as características próprias do mundo do adolescente: a necessidade de transgressão de regras, de aceitação em um grupo social e a imitação de exemplos eleitos.Da mesma forma, o traço de onipotência, tão próprio da juventude, leva a certezas ingênuas como "eu paro de fumar na hora em que eu quiser".

De fato, é preciso estabelecer distinções. Muitos experimentadores podem nunca mais repetir a incursão no mundo das drogas ou passar a fazê-lo esporadicamente, sem conseqüências graves. Mas uma pequena porcentagem certamente passará a usar drogas de forma regular, no início todo fim de semana até chegar ao consumo diário... aí, há conseqüências gravíssimas, tais como abandono escolar, isolamento social, sexo irresponsável, risco de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a Aids e a Hepatite C e morte prematura. Hoje, estima-se que as drogas sejam diretamente responsáveis por 40% das causas externas de óbito na adolescência.

O grande problema é justamente que ninguém (e muito menos os adolescentes) sabe quem entre os experiementadores serão apenas usuários ocasionais ou quem se tornará dependente. Há indicações claras de que, quanto mais cedo ocorre o primeiro contato, maiores são as chances de se chegar à dependência.

Há também uma certeza cada vez mais sedimentada entre os grandes estudiosos do tema que diz respeito diretamente à ação dos pais e da Escola, e é justamente o tema central deste artigo.

A questão é que uma forma eficaz de prevenção é oferecer, desde muito cedo, alternativas de prazer e felicidade às crianças e aos jovens. Consumo de drogas está diretamente ligado à busca do prazer, à ilusão de felicidade em um mundo difícil, competitivo, que vende beleza, riqueza e felicidade sem limites em pílulas na TV, no cinema, nos outdoors, nas revistas, na web.

O contrário das drogas não é a informação (ainda que informar seja de fato imprescindível), mas o amor à vida. Fugir das drogas não é abster-se dos prazeres da existência, mas saber escolhê-los, é saber torná-los orgânicos em projetos sólidos de vida, é saber que não há felicidade sem frustração, pois a vida tem frustrações cotidianas; fugir das drogas é construir a percepção de que cada um é inescapavelmente responsável pelo próprio destino.

Ora, se partimos dessa premissa, que largo campo de ação (e de esperanças) abre-se para todos nós.

Isso é Educação Preventiva. Para isso, concorrem muitas opções. Uma delas é oferecer fontes de experiências saudáveis e de qualidade de vida, como a arte, o esporte, o lazer rico e diversificado, a ação social (por exemplo, de voluntariado), a vivência ambiental, a formação de grupos equilibrados de amigos.

Enfim, por muitos caminhos, estratégias e instrumentos, educadores e pais devem se orientar para a formação de crianças e jovens que tenham amor à vida, que possam construir projetos, que aprendam a resistir, com segurança e sem desespero, às frustrações, que tenham auto-estima e, sim, que conheçam detalhadamente os enormes riscos associados ao consumo de drogas.

Referências bibliográficas:

Listamos algumas leituras que podem orientar os pais sobre a prevenção ao uso de drogas, no espírito da Educação Preventiva. Esses estudos e livros estão na biblioteca da Móbile, que é circulante e está aberta a pais, alunos e funcionários.

Um guia para a família, de Dartiu Xavier da Silveira e Evelyn Doering Xavier da Silveira, Brasília, Secretaria Nacional Antidrogas, 2000, série Diálogo, nº 1

Conversando sobre cocaína e crack, de Marcos da Costa Leite, Brasília, Secretaria Nacional Antidrogas, 1999, série Diálogo nº 2

Aspectos básicos de tratamento da síndrome de dependência de substâncias psicotrópicas, de Marcos da Costa Leite, Brasília, Secretaria Nacional Antidrogas, 1999, série Diálogo, nº 3

Crescendo sem drogas - um guia de prevenção para pais e educadores, Associação Parceria contra Drogas, Plural Editora e Gráfica, São Paulo

Obs.: Veja também o site do Hospital Albert Einstein, um reconhecido centro de estudos no tema:
www.einstein.br/alcooledrogas.

Maria Helena Bresser

Diretora Geral do Colégio Móbile, Doutora em Psicologia

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