|
|
O educador que se responsabiliza pela formação integral de seu aluno |
Cleuza Vilas Boas Bourgogne*
Imagine uma criança aos dois anos de idade ─ como
ela age e reage diante de tudo, as capacidades que já anuncia. Faça um
esforço e corra os olhos pelo tempo
─ transponha
essa criança para os dezessete, dezoito anos. Exercício difícil?
Trata-se de um breve e valioso período da vida. Continue o esforço e
visualize em quem ela se transformou... Pois é este exercício que uma escola precisa fazer:
pensar no indivíduo no qual se transformará a criança que, um dia,
entrou por sua porta. E, neste olhar, tanto a formação ética e moral quanto
a formação acadêmica têm igual importância. Na Móbile, o indivíduo que almejamos é o que se
posiciona criticamente diante da realidade e torna-se responsável pelo
contexto social, buscando nos próprios conhecimentos individuais
condições para se tornar um agente transformador. E como se chega a esse indivíduo? Já no primeiro contato com o ambiente escolar, a
criança percebe que os interlocutores não são mais pai, mãe, avó ou
qualquer outro adulto que sempre a acompanhou ─ ela reconhece que novos
interlocutores se responsabilizam por sua saúde, segurança e bem-estar.
E vai notando que a escola se transforma no segundo espaço de grande
valor para a sua formação. Essa criança que entra na escola aos dois anos
permanece em média cinco anos na Educação Infantil, oito no Ensino
Fundamental e três no Ensino Médio ─ em todo esse período, observa,
aprende e experimenta o exercício de se desenvolver no ambiente escolar. Da mesma forma que a qualidade das relações familiares
é importante, os adultos responsáveis por intermediar as aprendizagens
que ocorrem nos espaços da escola, sejam elas acadêmicas ou de
convivência social, devem entender a atividade educativa como um
conjunto de ações cuja finalidade é favorecer o desenvolvimento das
pessoas. Um ambiente de trabalho cooperativo e amistoso, em que há lugar
para o afeto e para a crença de que toda pessoa pode transpor
obstáculos, fortalece vínculos positivos e garante as diversas
aprendizagens propostas pela escola. Quem se sente respeitado em todos os aspectos aceita mais facilmente o outro com suas
características, suas funções e seus papéis. Uma escola que pretende harmonizar as condutas dos
professores, garantindo no encaminhamento das situações uma consonância
com os calores e princípios que apregoa e com o que pretende ensinar,
responsabiliza-se pelas falas e tomadas de decisões de toda uma equipe.
Um professor que esteja em harmonia com um projeto educacional como o da
Móbile não pode ser apenas especialista em sua matéria; deve ter também
como enfoque uma relação de autoridade pautada no valor que os alunos
têm pela sua competência em mediar as diversas aprendizagens e pela
forma como lida com relações de respeito e de justiça. Trata-se de um
professor que vê sua ação como fundamental para o processo de formação
de seus alunos, não se restringindo ao ensino de conteúdos conceituais e
procedimentais e, sim, ampliando sua ação para intervenções que garantam
relações saudáveis de convivência e que promovam a reestruturação do
ambiente da sala de aula. É o adulto que não reduz seu comportamento a
dar veredictos ─ simplesmente constando quais alunos atingem as metas e
quais não; é o adulto que acredita no potencial do aluno e dedica-se a
estabelecer metas de superação. Não é difícil imaginar problemas e peculiaridades
esperados para as diferentes etapas de vida e o quanto essas questões
refletem em sala de aula e provocam os mais diversos comportamentos que
geram conflitos no dia-a-dia da escola. Daí, vemos ser fundamental
desenvolver a capacidade do educador em fazer observações e intervenções
sobre questões que dizem respeito às regras de convivência social,
deixando claro que é de sua responsabilidade estabelecer um ambiente de
aprendizagem cooperativo e solidário. Refletir sobre o papel do adulto
no processo de formação do adolescente é um exercício que se faz
necessário para a construção de uma escola coerente com os princípios
que anuncia. A Móbile é uma escola academicamente
exigente, o que não se contrapõe à valorização de outros aspectos
fundamentais ─ formar um cidadão que compreende o valor de seu papel
social, que respeita os limites, que valida os direitos dos outros, que
cumpre os próprios
deveres e que estabelece metas a curto, médio e
longo prazo. Pensar sobre como deve agir um educador que se
compromete com a formação global de um aluno é fortalecer esse educador
para que não estabeleça diálogos nada propositivos com o adolescente,
depositando nesse último os fracassos que porventura surjam. Ter
disponibilidade para refletir sobre as metas não alcançadas e buscar
intervenções que sejam coerentes com os princípios de respeito mútuo,
cooperação e tolerância traduzem-se na clareza de que sanções, limites
claros e afeto são necessários para a superação de desafios. Um projeto que valoriza esse perfil de educador exige
tempo, disponibilidade e estabelecimento de prioridades. Promover
reuniões da equipe para reflexões, discussões e capacitações é um bom
caminho para se conseguir que todos tenham um olhar mais atento às
relações que um grupo de alunos estabelece, capacitando tanto
professores quanto coordenadores a “ler” esse grupo e o discurso
implícito que apresenta. Só assim se podem tomar decisões de contenção
ou prevenção que correspondam às metas de formação. Uma escola precisa ter claro o perfil de profissionais
que se fazem porta-vozes das idéias da instituição ─ o que está em jogo na
relação professor-aluno é a construção da identidade de uma escola.
|
O que é Móbile
| Nossa
Proposta | Histórico
Educação
nos dias de hoje |
Ação Comunitária
| Espaço de
reflexão
