“A memória é essencial, visto que a literatura está feita de sonhos e
os sonhos fazem-se combinando recordações.”
(Jorge L. Borges)
Fazer da literatura um meio pelo qual os alunos têm a possibilidade de reinventar sua realidade, atribuindo-lhe novos significados, é um dos objetivos do trabalho do curso de Língua Portuguesa na Móbile. Para tanto, foi escolhido o livro Guilherme Augusto Araújo Fernandes, de Mem Fox, publicado pela Editora Brinque-Book, para abordar com as turmas de 2º ano do Ensino Fundamental o valor da memória para a constituição da identidade individual, familiar e social das pessoas.
Para abrir a leitura com as crianças, foi proposta a reflexão sobre o significado de “memória”. Por meio da pergunta “O que é memória?”, o grupo pôde se aproximar de muitas das ideias que as crianças exprimem sobre o tema:
“Memória é algo que nós lembramos.”
“A memória vai passando com o tempo.”
“A memória fica no cérebro.”
“Memória é lembrar de coisas boas.”
O trabalho se desdobrou na exploração da ficha técnica e das ilustrações da obra em busca de pistas que permitissem o levantamento de hipóteses sobre o enredo da história.
A leitura individual da história possibilitou o contato particular de todos com a linguagem literária; nesse caso, rica em repetições intencionais e no uso do discurso direto, características que aproximam o texto dos leitores.
A personagem Guilherme Augusto Araújo Fernandes chama a atenção, logo a princípio, por causa de seu longo nome. No decorrer da narrativa, sua carinhosa amizade com a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, uma velhinha que morava em um asilo ao lado da casa dele, motiva o menino na busca pelo significado da memória.
A caixa de objetos construída por Guilherme Augusto para ativar as lembranças de sua amiga inspirou um dos trabalhos realizado pelos alunos. Assim como ele recolheu as ideias das personagens sobre memória para depois montar a caixa, o grupo do 2º ano confeccionou muitas caixas com fotografias, roupas, brinquedos, livros, certidões de nascimento e outras tantas relíquias que constituem a história de cada um.
A apresentação desse material aos colegas tornou possível que todos contassem um pouco sobre os fatos marcantes de seu passado, considerando as sensações e expectativas pessoais. A família e as amizades foram reconhecidas pelas crianças como elementos essenciais de suas vidas.
Cada aluno desenhou o objeto que julgou ser mais marcante e significativo de sua caixa e essas imagens formaram uma mandala montada pelo grupo, como registro coletivo do trabalho.
Todas as caixas confeccionadas pelos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental puderam ser apreciadas pela comunidade da Móbile na exposição de encerramento do trabalho. Para todos, essa foi uma ótima oportunidade de reviver um pouquinho da infância por meio das histórias individuais desses jovens leitores.





