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Palestra - 2008
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O escritor Milton Hatoum lança novo livro e fala a alunos da Móbile

 

Existe ou não inspiração? O que motiva um artista a criar uma obra literária? Livros são releituras das reminiscências pessoais dos escritores? Essas questões sempre estiveram ligadas ao universo da arte das palavras. O fato é que a obra literária que eclode espontânea e livre tem, como atestam seus criadores, um sabor especial... todavia a realidade, muitas vezes, obriga o escritor a se ocupar de mais obrigações pragmáticas do que gostaria. Os cronistas de periódicos que o digam – nem os chefes de redação nem o público ávido dos jornais e revistas não perdoam atrasos (aliás, o tema “hoje não sei o que escrever” é constante em Ivan Ângelo, Marcelo Coelho, Dráuzio Varella e tantos outros). Não há escritor brasileiro que não tenha passado pela experiência da obrigação editorial. Clarice Lispector, por exemplo, escreveu A via crúcis do corpo, em 1974, sob encomenda e é dela o famoso comentário: “Uma pessoa leu meus contos e disse que aquilo não era literatura, era lixo. Concordo. Mas há hora para tudo. Há também a hora do lixo”. Agora é a vez de Milton Hatoum ser desafiado a escrever de um outro modo...

Depois das belíssimas narrativas Dois Irmãos (2000) e Cinzas do Norte (2005), Hatoum nos presenteia com Órfãos do Eldorado, obra que, como poucas escritas neste país, “fala” diretamente com seus leitores. Órfãos do Eldorado integra a Coleção Mitos da Companhia das Letras e prova que é possível produzir obras-primas sob encomenda. Milton Hatoum funde os mitos do Eldorado, do título, com o da Cidade Encantada, no seu cenário freqüente, Manaus, e a região amazônica.

Pela terceira vez, Milton também nos prestigiou com sua visita à Móbile na sexta-feira, 6 de junho. Os alunos do 2º. ano do Ensino Médio, orientados pelo seu professor de Português João Jonas, leram a última obra do escritor e puderam se encantar com seu poder de ficcionista e com a paixão de Hatoum por um Brasil pouco explorado.

Machado de Assis, pelo que contam seus biógrafos, não era um grande orador, Drummond era tímido e sisudo, Raduam Nassar simplesmente não fala sobre literatura. E não há problema nisso porque suas obras são tão expressivas que falam por si. Milton consegue aliar uma produção literária das mais originais a um poder de sedução exercido também pela sua presença forte, densa, lírica e magnificamente simples como cabe aos grandes mestres.

“Numa cidade à beira do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e, incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta para Arminto Cordovil começar a contar a história de Órfãos do Eldorado – a história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, mas também a crônica de uma família, de uma região e de toda uma época que, à base da seiva da seringueira, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico”. (Companhia das Letras)

 

 

 

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